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Telas

A Morte de Robin Hood

(19/08/26)

A Morte de Robin Hood é um drama de época com elementos de ação, aventura e forte carga psicológica. Classificado para maiores de 18 anos, o filme apresenta uma abordagem madura e contemplativa sobre um personagem que, ao longo dos séculos, ganhou inúmeras versões. Aqui, porém, a narrativa se afasta das representações tradicionais e se concentra em um momento muito específico da vida de Robin Hood: seus últimos dias.

A história acompanha um homem marcado por uma trajetória de violência, agora gravemente ferido após uma batalha que acreditava ser a derradeira. É nesse estado de vulnerabilidade que ele encontra uma mulher misteriosa, cuja presença desencadeia uma jornada de introspecção e confronto com memórias que ele tentou enterrar. A proposta do filme não é revisitar feitos heroicos, mas explorar o peso emocional e moral acumulado por alguém que viveu à margem da lei, mesmo que com intenções que, em outras versões, costumam ser vistas como nobres.

A direção de Michael Sarnoski imprime um ritmo mais lento e reflexivo, permitindo que cada gesto e silêncio carregue significado. A fotografia reforça essa atmosfera, com cenários que evocam isolamento e um mundo que parece tão cansado quanto o próprio protagonista. A escolha de filmar em 35 mm contribui para uma textura mais orgânica, que combina com a proposta intimista da obra.

Hugh Jackman interpreta Robin com intensidade e profundidade, revelando um personagem que não busca mais glória, mas compreensão. Sua atuação transmite a sensação de alguém que carrega o peso de decisões difíceis e que, diante da proximidade da morte, tenta encontrar algum tipo de redenção. Jodie Comer, no papel da mulher que o acolhe, oferece uma presença enigmática e firme, funcionando como contraponto emocional e moral ao protagonista. Bill Skarsgard completa o elenco principal, trazendo nuances importantes para a dinâmica entre os personagens.

O filme se destaca por não tentar agradar a todos os públicos. Ele se afasta de aventuras grandiosas e se aproxima de um estudo de personagem, explorando temas como arrependimento, legado e a fragilidade humana. A narrativa não se apressa e, por isso, pode soar densa para quem espera ação constante. No entanto, essa escolha narrativa permite que o espectador se conecte de maneira mais profunda com o que está sendo contado, observando não apenas o que acontece, mas como cada acontecimento reverbera internamente nos personagens.

A trilha sonora reforça o tom melancólico, acompanhando a jornada emocional sem exageros. Os cenários naturais, muitas vezes silenciosos, ajudam a criar uma sensação de imersão, como se o mundo ao redor estivesse testemunhando os últimos passos de uma figura lendária que, aqui, é retratada como um homem comum diante de seu próprio fim.

A Morte de Robin Hood é uma obra que convida à reflexão. Em vez de celebrar feitos heroicos, ela questiona o que permanece quando a lenda se desfaz e resta apenas o indivíduo. É um filme que valoriza o olhar atento, a sensibilidade e a disposição para acompanhar uma narrativa que se constrói mais pela emoção do que pela ação.

Disponível nos cinemas a partir de agosto de 2026.

Luciana Nagiotto (PGIA)

Redação Sabeis – Telas