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Sabeis

Bem-estar

A ética saiu de moda?

(26/10/26)

Essa é uma questão que precisa ser debatida e merece nossa atenção e reflexão. Todos os dias somos bombardeados por notícias de golpes financeiros, escândalos e comportamentos que levantam sérios questionamentos de ordem ética e moral, tanto no setor privado quanto no poder público.

Vemos vergonhosos casos de corrupção envolvendo políticos, membros do Judiciário e autoridades de diferentes áreas. Também nos deparamos com profissionais da saúde que parecem colocar o ganho financeiro acima do bem-estar e da segurança de seus pacientes.

Há situações em que a busca por determinado padrão de beleza, muitas vezes reforçado pelas redes sociais, leva pessoas a se submeterem a procedimentos médicos e cirúrgicos sem uma reflexão adequada sobre os riscos envolvidos. Em alguns casos, a consulta parece transformar-se em uma espécie de escolha de cardápio: o paciente chega ao cirurgião e seleciona um verdadeiro “combo” de procedimentos, como se estivesse diante de uma lista de produtos a serem consumidos, sem avaliar os riscos de realizar vários procedimentos de uma só vez.

E as consequências podem ser devastadoras: pessoas que perdem a vida, ficam com graves sequelas ou passam por mutilações que abalam profundamente sua autoestima. O sonho de alcançar o corpo perfeito pode acabar se transformando em um verdadeiro pesadelo, digno de cenas de um filme de terror.

Afinal, aprendemos a confiar nos profissionais como especialistas, acreditando que possuem conhecimento, preparo e segurança para decidir o que é mais adequado para cada paciente. Mas o que vemos, em alguns casos, parece revelar não apenas uma falha de consciência ética, mas também problemas na própria formação educacional e profissional. De que adianta um profissional dominar técnicas e procedimentos se não estiver igualmente preparado para compreender os limites de sua atuação e colocar a vida, a saúde e o bem-estar do paciente acima de seus próprios interesses?

Quando o lucro passa a ocupar o primeiro lugar, a saúde física e emocional do paciente corre o risco de ser relegada a segundo plano. A formação de um profissional não deveria se limitar ao domínio técnico de sua área; deveria também envolver responsabilidade, discernimento e, acima de tudo, respeito pela vida humana.

 

Vale tudo para conseguir o que se quer?

Apesar de assistirmos a muitas pessoas aparentemente se dando bem ao tomar atitudes, no mínimo, questionáveis, pode parecer que é realmente assim que as coisas funcionam: fazem o que querem, alcançam seus objetivos e seguem a vida sem qualquer consequência. Mas será que vale tudo para conseguir o que se quer?

Acredito que nossas escolhas sempre têm consequências. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. Seja pela lei da semeadura e da colheita, seja pela relação de causa e efeito, cedo ou tarde teremos de lidar com os resultados daquilo que escolhemos fazer. Não se trata de vingança ou de esperar que o outro sofra o mesmo mal que causou, mas de compreender que nossas atitudes não são neutras: elas produzem efeitos sobre nós, sobre os outros e sobre o ambiente em que vivemos.

Por isso, alcançar um objetivo não deveria ser a única medida de sucesso. Também importa a maneira como chegamos até ele e aquilo de que precisamos abrir mão para consegui-lo. Afinal, de que adianta conquistar algo se, para isso, precisamos abandonar aquilo em que acreditamos?

Valores éticos importam, sim e muito!

Valores éticos são fundamentais porque ajudam a orientar nossas escolhas e a estabelecer limites para aquilo que fazemos. Eles nos permitem distinguir não apenas o que é permitido do que é proibido, mas, principalmente, o que é certo do que é conveniente. Funcionam como uma bússola para nossa maneira de agir, mesmo quando não existe uma regra, uma fiscalização ou alguém para nos cobrar.

É justamente quando ninguém está olhando que nossa integridade é colocada à prova. É fácil defender a honestidade quando não temos nada a ganhar sendo desonestos. O verdadeiro desafio aparece quando agir corretamente exige esforço, quando podemos obter alguma vantagem ou quando percebemos que ninguém descobriria se fizéssemos algo errado.

Infelizmente, muitas vezes esses referenciais são relativizados em nome da conveniência. É aquela velha frase: “Todo mundo faz” ou “Quando entrei aqui, já era assim”. Aos poucos, aquilo que deveria causar indignação passa a ser visto como normal, e comportamentos inadequados começam a ser justificados simplesmente porque se tornaram frequentes.

Mas não é porque “todo mundo faz” determinada coisa que ela se torna certa. A ética não é definida pela maioria. Uma atitude não deixa de ser errada porque se tornou comum, assim como não se torna correta apenas porque pode trazer alguma vantagem.

Ter princípios não significa ser perfeito ou nunca errar. Significa ter referências que orientem nossas decisões e coragem para mantê-las mesmo quando seria mais fácil fazer o contrário. Significa também reconhecer que nossas escolhas dizem muito sobre quem somos.

No fim das contas, caráter também se revela quando escolhemos não fazer aquilo que sabemos estar errado, mesmo quando seria mais fácil seguir a maioria. Porque, mais do que aquilo que conquistamos, importa também a pessoa que nos tornamos no caminho.

XXXXXXXXX (PGIA)

Redação Sabeis – X

Juliana Lima

Redação Sabeis – Bem-Estar