(09/09/26)
Resident Evil é um filme de terror com elementos de ação, ficção científica e horror corporal. Classificado para maiores de 18 anos, ele apresenta uma abordagem intensa e atmosférica, voltada para quem aprecia narrativas que exploram o medo de forma visceral. A história acompanha um mensageiro que recebe a tarefa aparentemente simples de entregar um pacote em um hospital remoto. O que deveria ser apenas mais um dia de trabalho se transforma em uma luta desesperada pela sobrevivência quando uma epidemia toma conta do local, dando origem a criaturas mutantes que se multiplicam rapidamente.
A direção de Zach Cregger aposta em uma construção de tensão que cresce de maneira constante. Em vez de recorrer apenas a sustos fáceis, o filme trabalha com a sensação de isolamento e com a imprevisibilidade do ambiente. O hospital, que deveria ser um espaço de cuidado, torna-se um labirinto claustrofóbico onde cada corredor pode esconder uma nova ameaça. A fotografia reforça essa atmosfera, utilizando cores frias e sombras marcadas para criar um cenário que parece sempre à beira do colapso.
O elenco traz Austin Abrams no papel principal, interpretando um protagonista que não é um herói tradicional, mas alguém comum colocado em uma situação extrema. Essa escolha torna a narrativa mais próxima do espectador, já que o personagem reage com medo, hesitação e coragem na mesma medida. Paul Walter Hauser e Zach Cherry completam o núcleo central, contribuindo para a dinâmica entre personagens que precisam tomar decisões rápidas em meio ao caos. A presença de Kali Reis e Johnno Wilson adiciona camadas à trama, especialmente nas interações que revelam como cada um lida com o desespero crescente.
O filme se apoia fortemente no horror corporal, explorando mutações e transformações que remetem às origens da franquia. As criaturas apresentadas são resultado direto da epidemia que se espalha pelo hospital, e o design desses monstros combina elementos grotescos com movimentos imprevisíveis, reforçando a sensação de perigo constante. A trilha sonora acompanha esse ritmo, alternando momentos de silêncio absoluto com explosões sonoras que intensificam a tensão.
A narrativa também dialoga com temas recorrentes da franquia, como experimentos científicos fora de controle e a fragilidade humana diante de forças que escapam à compreensão. No entanto, o filme não exige conhecimento prévio dos jogos ou de outras adaptações. Ele funciona como uma história independente, focada em um recorte específico desse universo, o que permite que novos espectadores se envolvam sem dificuldade.
A produção utiliza recursos técnicos modernos, incluindo mixagem de som em Dolby Digital, IMAX 6-Track e Dolby Atmos, o que contribui para uma experiência mais imersiva, especialmente nas cenas que exploram a movimentação das criaturas pelos corredores do hospital. A proporção de tela 2.39:1 reforça a sensação de amplitude e, ao mesmo tempo, de confinamento, dependendo do enquadramento escolhido.
Resident Evil é uma obra que combina ação e terror de maneira equilibrada, oferecendo momentos de adrenalina e cenas que exploram o desconforto físico e psicológico. A construção do suspense, o uso cuidadoso da ambientação e a atuação do elenco fazem com que o filme se destaque dentro do gênero, especialmente para quem busca uma experiência intensa e envolvente.
Disponível nos cinemas a partir de setembro de 2026.
Luciana Nagiotto (PGIA)
Redação Sabeis – Telas