(02/09/26)
Coyote vs. Acme é uma comédia familiar com elementos de aventura e fantasia, classificada como PG, o que significa que pode ser assistida por todas as idades, embora crianças pequenas possam precisar de orientação. O filme parte de um ponto muito curioso do universo dos Looney Tunes: o famoso armazém da ACME, responsável por fabricar todos aqueles produtos extravagantes que o Coiote usa em suas tentativas de capturar o Papa-Léguas. A proposta aqui é transformar esse cenário clássico em uma narrativa que mistura humor físico, situações absurdas e uma dose de imaginação que conversa tanto com quem cresceu assistindo aos desenhos quanto com quem está conhecendo esse universo agora.
A direção de Dave Green aposta em uma combinação de animação desenhada à mão com elementos live-action, criando uma estética que remete ao charme dos desenhos tradicionais, mas com a energia de uma produção moderna. Essa escolha visual reforça a sensação de estar diante de algo familiar, mas renovado. O filme se apoia bastante no humor pastelão, aquele tipo de comédia que brinca com exageros, quedas, explosões e situações improváveis, mantendo o espírito original dos personagens.
O elenco conta com nomes como John Cena, Lana Condor e Will Forte, que ajudam a dar vida aos personagens humanos envolvidos na história. A presença de figuras icônicas como Bugs Bunny e o próprio Papa-Léguas, ainda que em participações pontuais, cria uma ponte afetiva com o público que já conhece o universo Looney Tunes. A narrativa se desenvolve dentro do armazém da ACME, explorando o funcionamento desse lugar que sempre foi um mistério nos desenhos. Essa ambientação permite que o filme brinque com a criatividade, apresentando máquinas, produtos e invenções que desafiam qualquer lógica, mas que fazem sentido dentro da proposta divertida e caótica da história.
A produção também chama atenção por sua trajetória incomum. O filme chegou a ser arquivado durante a gestão de David Zaslav na Warner Bros. Discovery, seguindo o mesmo destino de outras produções que foram interrompidas por questões fiscais. No entanto, ao contrário de títulos que permaneceram engavetados, Coyote vs. Acme encontrou um novo caminho ao ser adquirido por outro distribuidor, o que permitiu que o projeto fosse retomado e chegasse ao público. Esse detalhe acrescenta uma camada interessante ao filme, pois ele se torna não apenas uma obra de entretenimento, mas também um exemplo de como projetos podem ganhar nova vida mesmo após decisões corporativas difíceis.
A trilha sonora e o design de som acompanham bem o ritmo acelerado das cenas, reforçando o humor físico e as situações exageradas. A mixagem em Dolby Digital contribui para criar uma experiência envolvente, especialmente nas sequências que exploram o caos típico dos produtos ACME. A fotografia colorida e vibrante ajuda a manter o clima leve e divertido, convidando o espectador a embarcar na fantasia sem grandes preocupações.
Coyote vs. Acme é um filme que abraça a simplicidade do humor clássico, mas com uma roupagem atual. Ele não busca reinventar os personagens, e sim celebrar o que sempre funcionou neles: a criatividade, o exagero e a capacidade de transformar situações impossíveis em momentos de diversão. É uma obra que pode agradar tanto quem já conhece o Coiote e o Papa-Léguas quanto quem está entrando nesse universo pela primeira vez, oferecendo uma experiência leve e acessível.
Disponível nos cinemas a partir de agosto de 2026.
Luciana Nagiotto (PGIA)
Redação Sabeis – Telas