Pular para o conteúdo principal

Sabeis

Bem-estar

O poder da autenticidade

(17/08/26)

Vivemos um tempo em que as redes sociais tentam ditar como devemos agir, nos comportar e até como devemos parecer. Filtros escondem imperfeições, vidas perfeitas são exibidas como vitrines e, diante desse cenário, quem não se encaixa nesse padrão acaba se sentindo deslocado, como um peixe fora d’água. A pressão para corresponder a um ideal irreal tem criado uma distância cada vez maior entre quem somos e quem acreditamos que deveríamos ser.

Essa busca por um modelo único de beleza gerou uma verdadeira epidemia de procedimentos estéticos. Os rostos começam a se parecer, as expressões se tornam rígidas, as bochechas ganham aquele aspecto emborrachado que denuncia o excesso, e a naturalidade vai desaparecendo. Houve a fase das próteses de silicone, que muitas mulheres agora estão retirando por problemas de saúde, e tantas outras modas que surgem e desaparecem: sobrancelhas finas, depois grossas, cílios exagerados, contornos artificiais. Em meio a tantas tendências, algo essencial vai sendo deixado de lado: a autenticidade, que nos diferencia e nos conecta com a nossa própria verdade.

 

Mas afinal, o que é ser autêntico?

Ser autêntico é ser verdadeiro. É aceitar e assumir a própria personalidade, reconhecendo as próprias imperfeições sem projetá‑las em ninguém. A pessoa autêntica entende que está neste mundo para evoluir e se aperfeiçoar, mas não sente necessidade de imitar ninguém, porque justamente aí está a beleza de ser único. Cada um tem sua própria impressão digital; não somos produzidos em série como bonecos ou robôs. Por isso essa ideia de padronização de aparências tem adoecido muitas pessoas. Afinal, quem decide o que é a “beleza perfeita”? Um corpo escultural? Uma simetria ideal? O que nos diferencia dos animais é a nossa inteligência, a capacidade de raciocinar e ponderar, mas essa competição desenfreada por um padrão inalcançável tem nos afastado de nós mesmos, da nossa verdadeira essência.

A liberdade de assumir quem se é

Liberdade é usar o que te faz bem e encontrar o seu próprio estilo. Mais importante do que a aparência é agir com coerência, fazendo com que aquilo que você diz esteja alinhado com o que você faz. Quando vivemos de forma genuína, o interior naturalmente se reflete no exterior. A verdadeira beleza nasce de dentro e aparece quando assumimos quem somos, sem medo da opinião alheia.

Não devemos viver em busca de validação, e isso tem adoecido muita gente, especialmente nas redes sociais. Há pessoas que estão ali apenas para criticar, despejar frustrações, angústias e recalques, muitas vezes porque o outro é, faz ou assume algo que elas mesmas não tiveram coragem de enfrentar.

É fundamental termos em mente uma verdade libertadora: nunca agradaremos a todos. Existe uma antiga história que ilustra isso. Um velho viajava com seu neto e um jumento. Ao longo do caminho, cada grupo de pessoas que encontravam criticava a forma como eles seguiam viagem. Criticavam quando ninguém montava no jumento, criticavam quando apenas o menino montava, criticavam quando apenas o velho montava e criticavam quando os dois montavam juntos. Tentando agradar a todos, eles mudavam o jeito de caminhar a cada comentário, até perceberem que, independentemente do que fizessem, sempre haveria alguém para apontar o dedo, ou seja, a tentativa de contentar a todos foi frustrada. Muitas vezes o que incomoda não é o movimento do outro, mas a inércia de quem critica, e isso só a própria pessoa pode resolver.

Assim também é a vida. Se tentarmos moldar nossas escolhas para satisfazer expectativas externas, perderemos nossa essência, a nossa autenticidade e provavelmente continuaremos a ser julgados. Por isso, devemos agir de acordo com nossa consciência e com aquilo que faz sentido para nós, e não com o que os outros esperam.

XXXXXXXXX (PGIA)

Redação Sabeis – X

Juliana Lima

Redação Sabeis – Bem-Estar