(05/08/26)
Vivemos em um mundo onde, todos os dias, somos metralhados com notícias aterrorizantes de violência de todo tipo: contra mulheres, crianças, pessoas vulneráveis; guerras, escândalos de corrupção, desvios de dinheiro que vão desde pequenas quantias até montantes vultuosos; falta de ética, de respeito, de empatia, ou seja, de humanidade.
As pessoas estão cada vez mais individualistas, parecem zumbis com seus celulares, vivendo em um mundo virtual e esquecendo que existe vida real aqui fora. Parece que existem mais pessoas más do que boas. Elas vão barbarizando de todas as formas, desde pequenos delitos até assassinatos. A vida foi banalizada: violenta-se ou mata-se por motivos torpes, como não aceitar o fim de um relacionamento, por uma discussão banal no trânsito, na escola ou no bar.
Quando alguém decide fazer alguma coisa para mudar o sistema, observando comportamentos errados, seja na família, no condomínio ou no trabalho, o próprio sistema se volta contra quem investiga, denuncia ou simplesmente se recusa a ser um espectador passivo enquanto a maldade se espalha. Essa pessoa é automaticamente vista como vilã, é difamada, caluniada, ridicularizada e perseguida por querer fazer o certo.
Por isso começo este texto com a seguinte pergunta: Vale a pena fazer o certo? Mesmo correndo todos esses riscos, a resposta é sim. Pois, mesmo sem ter muito apoio ou nenhum, o mundo ainda não colapsou por completo por causa das pessoas que lutam para fazer a diferença, que denunciam, questionam e, quem sabe, por meio do seu exemplo, inspirem outras a fazer o mesmo.
O conformismo dos bons é o combustível ideal para quem quer fazer coisas erradas, como burlar leis, manipular sistemas e se beneficiar da omissão alheia para proveito próprio. É muito comum, quando confrontadas, ouvirmos frases como “Sempre foi feito assim” ou “Todo mundo faz”.
O errado não se torna certo porque muitas pessoas fazem. Os políticos fazem, o meu chefe faz, o vizinho faz. Toda ação tem uma consequência, mas as pessoas não querem assumir suas responsabilidades. Quando são pegas, jogam a culpa nos outros e, assim, vai se formando um ciclo repetitivo de ações erradas.
O mundo é muito abrangente, mas cada pessoa pode fazer a diferença ao seu redor, no seu círculo de convivência. Se ficarmos sempre esperando que alguém faça algo, talvez nada aconteça. Mas, quando uma pessoa decide agir, mesmo que de forma solitária, ela pode inspirar outras a fazer o mesmo.
Existe uma história muito conhecida que ilustra isso. Um homem caminhava pela praia e via centenas de estrelas-do-mar presas na areia, secando ao sol. Ele começou a pegá-las uma a uma e devolvê-las ao mar. Outro homem, observando aquilo, perguntou o que ele estava fazendo. O primeiro respondeu que estava salvando as estrelas. O segundo riu e disse que havia milhares delas, que ele só conseguiria salvar algumas, que aquilo não faria diferença. O homem então pegou mais uma estrela, colocou-a de volta na água e disse que, para aquela estrela, fez diferença.
O observador ficou pensativo com a resposta. No dia seguinte, voltou à praia para ajudar. E, quem sabe, outras pessoas também poderiam aparecer para fazer o mesmo.
Por isso acredito que apenas desejar que as coisas mudem, que as pessoas melhorem, sem nenhuma ação concreta, não passa de sonho ou ideia vazia. São as nossas atitudes que fazem a diferença e inspiram outras pessoas.
Uma reflexão que também faço é a seguinte: quando alguém partir deste mundo, deixará marcas, um legado, algo de bom? Ou terá sido apenas mais um ser humano que nasceu, viveu e morreu? Fez a diferença por onde passou? Tornou o ambiente melhor ou pior? Foi um agente de transformação, alguém que ouviu, ajudou, acolheu e construiu? Ou foi uma pessoa que provocou caos e destruição por causa do egoísmo e da prepotência? Ou ainda alguém passivo, que viveu no piloto automático, sem propósito e sem impacto?
Por mais difícil que seja mudar corações e mentes, acredito que a escolha de ser alguém cujo propósito é melhorar, transformar, construir, curar e deixar o ambiente mais leve, amoroso e acolhedor já valeu muito a pena. Porque, no fim, não são as pressões externas que determinam quem somos, e sim as escolhas que repetimos diariamente. Quando alguém decide agir com integridade, questionar o que está errado e contribuir de forma positiva, o ambiente ao redor inevitavelmente se transforma. Toda mudança começa assim: com uma atitude correta, mesmo quando ninguém está vendo.
XXXXXXXXX (PGIA)
Redação Sabeis – X
Juliana Lima
Redação Sabeis – Bem-Estar